Em uma dessas valiosas e caxienses manhãs quaisquer, que passam muitas vezes despercebidas por mim e por muitos, percebi através de um “Bom dia!”, meu por sinal, uma ameaça a todos os gentis e simpáticos cidadãos que ainda preservam o bom hábito de oferecer o sempre bem-vindo “Bom dia!”.
Para variar (literalmente) eu havia acordado cedo com toda a disposição que me é dada durante minhas intermitentes fases de auto-estima, onde primordialmente por terapia e posteriormente por obrigação, costumo varrer o quintal e a calçada da frente de minha casa. Com a experiência que adquiri durante tais manhãs, já havia elaborado toda uma técnica que colaborava para que minhas tarefas com a vassoura fossem cada vez mais agradáveis e eficientes. Pois bem, quando ainda expulsava com toda a sutileza as menores entre as folhas secas que entulhavam a sarjeta e as brechas entre os paralelepípedos do meio-fio, tomado de entusiasmo que até as mais simples realizações nos proporcionam, resolvo compartilhar parte de minha efêmera alegria com uma senhora que se aproxima, preste a cruzar o portão de minha casa, onde me encontro. Já decidido a ofertar-lhe meu bem intencionado “Bom dia!”, aguardo o momento ideal, que a meu ver seria o instante em que descompromissadamente me fitaria. Não fitou-me. De súbito, antes que por mim passasse , exclamei: Bom dia! A senhora que antes passava sem nem fita oferecer-me, agora me olhava assustada, desconfiada, mas com sua caminhada ininterrupta. Tal reação surpreendeu-me, ousei um sorriso amarelo. Recusado, logo em seguida. A senhora resolveu não arriscar, deu-me as costas e seguiu sem olhar para atrás com andar desconcertado. Guardei meu sorriso amarelo e continuei meu trabalho certo de que insistiria em arriscar com o próximo que me cruzasse, um: Bom dia!...
Elvis Marlon
Um comentário:
Sim, isso mesmo, BOM DIA!
Bom dia com um sorriso largo e sincero ao poeta que acabo de descobrir.
Beijos meus,
Andreza Landes
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