sábado, 20 de setembro de 2008

Que tenhamos medo, e nos haja coragem
Que tenhamos sede e água à vontade
Que a lucidez nos permita a viagem...
Que nos afoguemos estando à margem
Que choremos pelos vivos rindo da propria morte
Que tenhamos tristezas nunca tatuadas...
E que tatuados estejam nossos cortes
Para que lembradas sejam as noites desvairadas
E que porém desvairados, sejamos fortes!!!


Jonas de Sá e Elvis Marlon

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Relato de réu culpado

Linda. Apaixonei-me desde a primeira vez que a vi. Vestido amarelo. Vestido amarelo. Lindo. Todo domingo, lá estava ela: acompanhada do mesmo casal, sempre. Os parques parecem ser mais bonitos aos domingos. Ela também parecia, apesar de ser o único dia da semana no qual a via. A via e só. Sempre fui muito tímido. Não teria coragem de lhe falar qualquer coisa na frente do casal. Mas um dia tive. Por algum motivo, ela se afastou do casal. Talvez não a fizessem bem. E eu me aproximei sem que notasse. Queria declarar meu amor. Só me percebeu quando a segurei pelo braço. Sem saber o que dizer, parecia assustada. Mas ao mesmo tempo era lindo. Foi a primeira vez que nosso olhar se cruzou. E tive medo. Medo de que nosso momento fosse interrompido pelo casal. Também vi medo em seu olhar. Só podia ser pelo casal. Malditos. Sem pensar muito, agi. E fugi em direção a mata fechada com meu amor nos braços. Algo caiu pelo caminho, talvez seu brinquedo. Ela chorou. E continuou a chorar por mais que eu dissesse que ficaríamos a salvo dos malditos. Parei apenas quando me pareceu segura a distância. E mesmo assim chorava. Por quê? Demonstrei tanta valentia, a salvei dos malditos. Sem nem questionar o que fizeram. E mesmo assim chorava. Não reconhecia todo amor necessário para realizar tal ato de fuga. Apenas chorava. Pedi-lhe um beijo. Um único beijo. Mas só sabia chorar. Ingrata. Tomei-lhe o beijo. Com toda a vontade acumulada desde a primeira vez que a vi. Nunca tinha beijado boca tão pequenina. Tão doce. Já descontrolado de desejo, pedia apenas que me amasse. Mas a desgraçada desatava a chorar. Maldita. Assim como o casal. Maldita. Ingrata. Já que gostava tanto de chorar, dei um bom motivo para chorar. Soquei-lhe a cara, e quanto mais chorava, mais a socava. Até que parou de chorar. Mas o medo parecia ter se transformado em algo maior. Pavor, horror. Ela não me amava. A pequenina não me amava. Havia me seduzido. Maldita. Merecia um castigo. Merecia a dor. O sangue. Tomei-a para mim. A possuí com toda a minha força. Com todo o meu amor. Ela voltou a chorar. Dessa vez, um choro mais intenso. Não tinha esse direito. Estava sendo castigada por me fazer sofrer. Não tinha o direito ao choro. Voltei a socá-la. Dessa vez sem parar. Na cabeça. No peito. Na costela. Até quebrar todos os seus ossinhos. Até que nunca mais chorasse. Como era linda a minha pequenina.

Elvis Marlon

sábado, 13 de setembro de 2008

Fraco!!

"Estou tentando tentar.
Já a um tanto não me tento.
Que as tantas vezes em que me enganei para o tempo
permita-me permitir-me tentar!"

Elvis Marlon